O serviço público de saúde estadual oferece uma rede especializada de tratamento de dependentes químicos nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS-AD). O Estado vem avançando na ampliação do quantitativo de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS III), além de buscar a expansão de leitos, de forma descentralizada e regionalizada, destinados aos casos graves. Em pleno Setembro Amarelo, esse empenho torna-se ainda mais importante, já que a relação entre o vício e o suicídio – segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade em todo o planeta – é real.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), não há uma rede específica para tratamento isolado de dependentes químicos, mas sim uma Rede de Atenção Psicossocial, que contempla desde a Atenção Básica em Saúde até a alta complexidade, contando atualmente com 84 CAPSs habilitados.

Porta de entrada – Laena Costa, diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde, explica que a porta de entrada é sempre a Atenção Primária – as Unidades Básicas de Saúde (UBS) -, onde são feitos os encaminhamentos para os CAPS. Nestes ocorrem o acolhimento e a avaliação do quadro do paciente, e são oferecidos serviços de tratamento medicamentoso, terapia ocupacional e acompanhamento psicológico e psiquiátrico. 

Se a situação for emergencial, com o paciente em “surto”, é possível buscar auxílio no CAPS AD lll – Marajoara, no Conjunto Gleba I, no bairro da Marambaia, em Belém, ou na Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, ambos portas abertas para esse tipo de urgência médica. Nesses casos, o paciente recebe a assistência adequada, sendo liberado assim que o quadro estiver controlado, podendo ser uma situação rápida ou que necessite de internação. Ambas ficam condicionadas à condição clínica do paciente.

“A busca pelo tratamento, o mais cedo possível, é altamente recomendado. Estamos falando de um mal que afeta grande parcela da população, associado a diversos transtornos, e que abre as portas para outros tipos de dependência”, informa Laena Costa.

Qualificação – A Rede dispõe de profissionais qualificados, que recebem treinamentos pela Sespa e por outras instituições e plataformas, como a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (Portal Uma-SUS) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O tratamento é realizado por equipe multidisciplinar, formada por médicos, psicólogos, terapeutas e outros profissionais, com a participação da família. Quando o dependente químico mora em uma cidade que não tem o CAPS-AD pode procurar um CAPS tradicional (que cuida de saúde mental) ou uma Unidade Básica de Saúde de seu município para fazer o tratamento.