Pelo menos 15 médicos que deram plantões no hospital de campanha do Hangar, em Belém, ainda não receberam plantões tirados nos meses de abril e maio deste ano, no auge da pandemia de covid 19. Outros 19 médicos do hospital Abelardo Santos também não receberam pelos plantões desses meses. As denúncias chegaram ao Sindmepa, que está acionando o Ministério Público para buscar uma solução. Foi marcada uma assembleia geral virtual para a próxima quinta-feira, 19h, com indicativo de paralisação, caso os pagamentos não sejam imediatamente regularizados.

Com gestão terceirizada pelo estado para a Associação da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pacaembu, o hospital de campanha do Hangar exibe uma situação que vem se tornando muito comum no Pará, a quarteirização, quando uma empresa terceirizada subcontrata uma outra empresa para contratar a mão de obra médica para atuar nos hospitais. No caso do Hangar, a Irmandade quarteirizou a contratação para a empresa Medplantões, já conhecida no meio como uma empresa acostumada a não pagar médicos que contrata.

Uma jovem médica contratada pela empresa conta que ao aderir aos plantões no Hangar acreditava que os pagamentos ficariam a cargo da própria Secretaria de Saúde (Sespa). “Quando entramos, no início, não nos falavam qual era a empresa que estava contratando. Acho que a maioria entendeu que era a própria Sespa. O máximo de informação que recebi no início foi que havia uma empresa, mas que ela apenas estaria lá para repasse, pois o governo estava resolvendo tudo”, conta a médica.

A Medplantões informou depois que os pagamentos aconteceriam todo dia 10 do mês subsequente ao que o plantão foi tirado. Mas no dia 10 de maio não pagaram os plantões de abril. E em junho, não pagaram os de maio. “Não tinha nem material pra gente trabalhar direito. Medicações importantes, material para intubação. Cada plantão era um verdadeiro inferno”, relata a médica.

O calote da Irmandade Pacaembu também atingiu médicos contratados para o Hospital Abelardo Santos, destinado pelo governo do estado a atender unicamente pacientes da covid 19. Ali, são 19 médicos que ficaram sem receber os plantões e já estão sem condições de prosseguir.

“É inadmissível que chamem médicos para arriscar a vida em plena pandemia, não ofereçam condições de trabalho e ainda não paguem o que lhes é devido. Um desrespeito, para não dizer coisa pior”, afirma o diretor do Sindmepa, Waldir Cardoso. “Vamos acionar o Ministério Público e convocar Assembleia Extraordinária virtual para decidir o que fazer. Esse tipo de coisa não pode ficar impune”.